quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dona Mariana - pedras no caminho

Por Leila Vieira

Não foi difícil chegar à casa de Mariana. Com algumas instruções de moradores chegamos até a rua onde ela mora. Quando conversamos com Mariana pela primeira vez, cara a cara, pensamos que ela desistiria de nos conceder a entrevista. Tivemos que conversar muito com ela e seu marido, Sr. José, que parecia desconsolado e afirmava que nada seria capaz de trazer seu filho de volta. Conversamos muito com eles, falamos sobre o objetivo do nosso trabalho e que para nós era importante ouvir o que Mariana tinha a dizer sobre a morte de seu filho. José cedeu e consentiu que Mariana nos desse a entrevista.

Montamos todo o equipamento no centro da sala de Mariana. Microfone de lapela colocado e ligado, filmadora ligada na tomada e áudio ajustado, Clara com a câmera fotográfica a postos, gravador posicionado ao lado de Dona Mariana e eu (Leila) pronta para entrevistá-la. Mas, como percebi que Mariana estava tensa, decidi tentar fazer com que ela ficasse mais a vontade e perguntei sobre como era Claudinei.

Ela disse duas frases e começou a chorar. Cobriu os olhos com as mãos, enxugou as lágrimas do rosto, respirou fundo e fez silêncio. Respeitamos o momento de dor e ficamos, também, em silêncio por um tempo. A filmadora estava desligada. Esperamos ela se recompor e começamos a gravar.

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